Quando penso no meu percurso profissional, não são os cargos que ocuparam o primeiro lugar na memória. Também não são os relatórios, os projetos ou as responsabilidades que tive ao longo dos anos. O que verdadeiramente guardo são as pessoas. Os colegas que se tornaram amigos, os momentos partilhados e as experiências que continuam presentes muito depois de terminada a vida profissional.
Há cerca de 40 anos, encontrava-me em Viseu, onde desempenhava funções como responsável pelo Departamento de Trabalho do Centro de Distribuição. A EDP vivia uma fase de crescimento e transformação, marcada por novos desafios e por uma forte vontade de construir uma empresa cada vez mais preparada para responder às necessidades do país.
Para mim, esses anos foram muito mais do que uma etapa profissional. Representaram um período de aprendizagem, de crescimento e, sobretudo, de construção de relações humanas que ainda hoje considero um dos maiores patrimónios da minha vida.
Durante quatro anos, Viseu foi a minha casa profissional. Todos os dias traziam novos desafios, problemas para resolver e objetivos para cumprir. Mas também traziam algo igualmente importante: a oportunidade de trabalhar lado a lado com pessoas dedicadas, competentes e sempre disponíveis para colaborar.
Era uma época em que o espírito de equipa tinha um significado muito especial. Havia um verdadeiro sentimento de pertença. Sabíamos que o sucesso de cada um dependia também do contributo dos outros e isso criava laços que iam muito além da simples relação profissional.
Uma das recordações mais marcantes desse período está ligada às comemorações do 10.º aniversário da EDP. Tive a oportunidade de integrar a comissão organizadora dos festejos, uma responsabilidade que aceitei com enorme entusiasmo.
Preparar aquelas celebrações permitiu-me conhecer ainda melhor a dimensão humana da empresa. Mais do que assinalar uma data importante, tratava-se de homenagear todas as pessoas que, ao longo dos anos, tinham contribuído para construir a EDP.
Recordo particularmente a homenagem aos trabalhadores que completavam 25 anos de serviço. Foi um momento carregado de significado. Ao olhar para aqueles rostos, percebia-se que cada um transportava uma história feita de dedicação, esforço e compromisso. Participar na organização dessa homenagem foi uma experiência que me marcou profundamente.
Foi também nessa altura que compreendi, de forma ainda mais clara, uma ideia que me acompanhou ao longo de toda a carreira: uma empresa não é feita apenas de edifícios, equipamentos ou tecnologia. É feita de pessoas. São elas que lhe dão identidade, alma e continuidade.
Ao longo dos anos, assisti a inúmeras mudanças. Vi a evolução das tecnologias, a transformação dos métodos de trabalho e a modernização dos processos. A empresa adaptou-se aos novos tempos e cresceu de forma notável.
No entanto, houve algo que nunca perdeu importância: as relações humanas.
Quando hoje reflito sobre aquilo que estes 40 anos me ensinaram, percebo que o maior legado não está nas funções que desempenhei nem nas responsabilidades que assumi. Está nas amizades que construí e que resistiram ao passar do tempo.
Muitos dos colegas com quem trabalhei em Viseu continuam presentes na minha vida. Algumas dessas amizades mantêm-se há décadas e representam uma das maiores riquezas que a minha carreira me proporcionou. São pessoas com quem partilhei desafios, alegrias, preocupações e conquistas. Pessoas que ajudaram a moldar a minha forma de estar e de olhar para o mundo.
José Rosendo de Lemos

