António das Neves Pinheiro

O poeta recorda com carinhosa saudade a sua HIDOURO de sempre. 

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“A poesia de Neves Pinheiro exalta a riqueza e a complexidade da vida, deixando transparecer as motivações sociais que mais o sensibilizam.”

Nasceu em Sanfins, Valpaços, em Trás-os-Montes, tendose radicado na cidade do Porto em 1950.

Iniciou a sua vida profissional em 1953 na Hidro-Eléctrica do Douro – Hidouro, na área administrativa da Empresa, onde se manteve até à passagem à situação de reforma em 1992, já na EDP.

Acompanha a arep desde 1988, nos primórdios da sua fundação e, nesta data, manifestou gosto e disponibilidade para colaborar com a Revista da Associação.

O seu gosto pela atividade associativa teve expressão na colaboração dada ao pelouro da cultura da Delegação do Clube de Pessoal da Hidouro, onde foi redator dos seus Boletins.

A literatura é uma paixão sempre presente ao longo da sua vida, traduzindo-se na edição de vários livros, em prosa e poesia, que mereceram o reconhecimento dos seus pares.

A poesia de Neves Pinheiro exalta a riqueza e a complexidade da vida, deixando transparecer as motivações sociais que mais o sensibilizam.

Oriundo de uma Província que se orgulha da sua gente honesta e empreendedora, também aqui o poeta se mostra fiel às suas origens na temática da sua obra. A interioridade sofrida das terras transmontanas constitui preocupação sua a que não fica indiferente.

A gesta emocionante da sua Hidouro, que retrata com uma imensa saudade – a Hidouro somos nós – está magistralmente expressa no poema que lhe dedica, que com muito gosto publicamos:

A HIDOURO

A Hidouro foi uma folha verde
Que amareleceu
E reverdece com a nossa teimosia.
Com o mesmo fervor
Da idade do amor
Que nesse tempo em nós cabia.
A Hidouro fomos nós,
Porque nós somos a Hidouro.
A Empresa família,
A Empresa generosa,
O chiste, a graça radiosa,
A injustiça ultrapassada,
A mágoa passageira.
Os convívios de alma lavada
De uma democracia pioneira. É de longe, que a beleza
Deve ser apreciada?
Pois tomemo-la como mote,
Neste Picote
De horizontes e de esplendor,
De fragas que foram sacrários
Onde os operários
Encarnaram o Cristo Redentor
Do padre Telmo,
E a quem, no “Lodo e as Estrelas”,
Ele abriu janelas de Eternidade.
É esta a minha aguarela de saudade,
A indelével recordação
De uma afeição
Da mocidade.
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