Telefonemas de conforto ligam histórias entre gerações

O que a motivou a dar o primeiro passo para se tornar voluntária?
Juntei-me à ação “Telefonemas de Conforto” depois de conhecer o projeto pela voz da Margarida Ferreirinha. O projeto tem uma essência muito bonita, combater a solidão e o isolamento social de colegas na idade da reforma. Gosto de conversar e também de ouvir e acredito que é isso que o outro lado da linha espera, alguém disponível para escutar, conversar e lembrar-se de detalhes, perguntar como correu o workshop de pintura no Centro de Dia ou assinalar o dia de aniversário. Tem sido gratificante acompanhar as alegrias e dificuldades de uma geração que é a dos meus avós e que um dia também serei.

Pode partilhar uma experiência marcante enquanto voluntária na AREP?
Todos os telefonemas de conforto são marcantes, mas impressiona-me ver pessoas com 98 anos com uma vida tão ativa. Isso inspira-me a ter mais energia no dia-a-dia, a viver com mais presença. Inspira-me ver uma excelente saúde física e mental e lembra-me a importância de cuidar de mim para um dia, ter a mesma qualidade de vida.

Como descreveria o impacto que o voluntariado teve na sua vida pessoal?
Reflito muitas vezes sobre a força dos pequenos gestos e sobre como uma simples conversa pode ter um grande impacto em quem está do outro lado da linha. A troca de histórias, conselhos e experiências entre gerações faz com que os voluntários também aprendam e cresçam. Levo a sabedoria de cada chamada para o meu quotidiano. São laços que se criam e que, muitas vezes, se mantêm para a vida.

Como organiza o seu tempo entre os compromissos pessoais e o voluntariado?
Confesso que este é o maior desafio. Tendo uma função de Recursos Humanos, os dias são corridos e cheios de interação social. É necessário guardar tempo e energia para dar o nosso melhor, porque do outro lado merecem a nossa atenção máxima. Por isso, coloco uma vez por mês um alarme no meu calendário para garantir este momento já pré-programado. Assim, consigo integrá-lo no meu dia-a-dia entre trabalho, família e amigos.

Que conselhos daria a alguém que esteja a pensar em começar a fazer voluntariado?
Todos nós podemos fazer a diferença, mas temos de descobrir as causas com que mais nos identificamos. Damos mais de nós nas causas que nos são mais queridas. O primeiro passo é encontrar uma associação com valores partilhados e estar disposto a contribuir de corpo e alma, de forma consistente e inteira. A motivação alimenta-se do impacto que vemos que criamos na vida de alguém.

Como vê o papel do voluntário na construção de uma sociedade mais solidária?
O voluntariado é relevante em qualquer sociedade. Em catástrofes naturais, a mobilização permite arrecadar comida, água e bens de primeira necessidade em tempo record para quem fica vulnerável. No dia-a-dia, os voluntários chegam a várias camadas da sociedade e atuam onde existe carência. O voluntariado potencia a vida de quem não tem recursos para ir mais longe sozinho, por vezes faltam recursos financeiros, outras vezes afeto, compreensão, escuta e carinho, outras, bens essenciais ou ajuda nas tarefas. Há espaço para cada um escolher onde quer intervir e, por vezes, o que parece insignificante melhora o dia de alguém. Com sentido real.

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