Crónica

Peripécias de uma jovem secretária

Autor
Elisabete Saleiro

24 de Março, 2026

Nos meus 33 anos de atividade na EDP assisti e trabalhei em várias ocasiões importantes na vida da empresa, quer no que diz respeito às duas reestruturações no sector elétrico (a primeira no início dos anos 70, após a criação da CPE (resultante da fusão de cinco empresas da rede elétrica primária) e, poucos anos depois, em 1976, com a criação da EDP (resultante da fusão de diversas empresas do setor elétrico nacional). Mais tarde, no final dos anos 90, ocorreram as diversas fases de privatização da empresa, em que também colaborei. Em resumo, momentos relevantes que relembro.

Remeto uma das recordações do início da minha carreira no secretariado da Direção Central de Organização da CPE, onde se desenvolvia o trabalho de reestruturação desta empresa, como referi atrás. Para levar a cabo este objetivo, o Diretor Central contava com a colaboração de um Consultor da Urwick Internacional, Mr. Jonhson, que vinha da África do Sul onde tinha estado a exercer um trabalho semelhante. Foi-me então pedido para lhe prestar apoio, principalmente como intérprete, quando tinha alguns diálogos com colaboradores que não dominavam o inglês. Além destas funções, era também necessário ajudar em certas tarefas logísticas relacionadas com a sua instalação em Portugal. Nesse contexto, surgiu a necessidade de tratar da vinda do seu papagaio da África do Sul para o nosso País. Depois de efetuadas as respetivas démarches, alguém foi buscar o animal ao Aeroporto de Lisboa, logo pela manhã e, para meu espanto, fiquei com o meu “companheiro” dentro de uma grande gaiola, em cima da minha secretária, durante todo o dia, até o dono o levar para casa.

Foi um dia divertido, não só porque o bicho ficava atento ao meu matraquear na velhinha máquina de escrever e rodopiava a toda a hora, mas também porque o meu Diretor, não sabendo desta operação, ao entrar no meu gabinete me perguntou com um sorriso complacente se eu tinha levado o papagaio para o trabalho. Rapidamente esclareci que não era meu! Não sei se o papagaio falava ou não, nesse caso seria a única e primeira vez que teria de servir de intérprete a uma ave canora.

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