Proximidade
Não sei para onde nos conduz esta vaga de desagregação que parece varrer a sociedade e está a fragmentar o mundo que conhecemos. A desordem que percepcionamos já não é apenas um bom argumento para um filme de ficção científica, ou uma visão futurista e caótica, onde reina a desorganização, a imprevisibilidade e a decadência. Convenhamos que nem tudo o que parece, é. Mas os sinais do que é, quando corporizados em vivências reais, assemelham-se cada vez mais àquilo que parece. No elevado grau de entropia em que as sociedades estão enredadas, parece milagre que ainda persistam sinais de empatia, esperança e proximidade. Que existam pessoas capazes de compreender o que o outro sente, pondo-se no seu lugar, tentando compreender as suas emoções e sentimentos.
Neste quadro sombrio, muitos perguntam: o que leva algumas pessoas a dar tanto de si para ajudar os outros? Que estímulos as impulsionam a telefonar a várias pessoas por dia, levando até elas uma voz amiga e uma mensagem de conforto? Quem são estes mensageiros de amor? O que os move? Que armadura envergam para essa dura batalha contra a solidão, a exclusão e o desamparo?
Conhecemos algumas dessas pessoas. São gente benfazeja e discreta, corajosa e determinada. São anjos para aqueles que esperam a sua voz amiga, iluminando a solidão em que vivem. São emissários de empatia, partilha e bem-estar. São a luz, muitas vezes a única luz, que ilumina a vida de muitos que já da vida pouco esperam.
Admiro a extraordinária persistência daqueles que, dia após dia, levam uma palavra de apoio, carinho e esperança aos outros. A natureza humana serve-nos, desde que o mundo é mundo, rios de indiferença e ilhas de egoísmo. Mas dá-nos, também, lições de grande virtude, altruísmo e bondade. Os voluntários da AREP são exemplo desses valores de indulgência e generosidade. A sociedade deve-lhes muito. São energia vibrante de amor e solidariedade. São oxigénio e proximidade num mundo cada vez mais fechado em si próprio.
Bem hajam!
