António Dias partilha como o voluntariado na AREP transformou a sua vida, reforçando o sentido de utilidade, empatia e participação ativa no apoio social aos associados que mais precisam.
O que o motivou a dar o primeiro passo para se tornar voluntário?
Após a minha passagem à situação de pré-reforma, o voluntariado não fazia parte das minhas opções prioritárias a concretizar, atendendo ao meu envolvimento profissional na área que desempenhei na empresa, em particular, nos últimos 25 anos. Em finais de 2022, decorrente de várias solicitações de amigos e colegas, complementando o que já fazia a nível pessoal, decidi que era altura de dar o meu contributo na AREP, na Direção Central, onde me mantenho presentemente.
Pode partilhar uma experiência marcante enquanto voluntário na AREP?
Na Direcção Central da AREP estou inserido, desde o início, no ex-Grupo Ação Social (GAS), atualmente Comité Executivo para o Apoio Social (CEAS). Esta área, abrangendo várias componentes da Ação Social, não contacta diretamente com os associados, pelo que analisa os pedidos que lhe chegam provenientes das Delegações. É da análise efetuada aos pedidos que vou adquirindo experiência, numa área deveras sensível e humana, que, sendo uma novidade para mim, não tenho ainda uma experiência marcante que possa referir.
Como descreveria o impacto que o voluntariado teve na sua vida pessoal?
Como refiro anteriormente, o voluntariado que exerço na Acção Social mostra-nos uma realidade que, enquanto estamos numa situação de ativo, e ou numa relação familiar normal (saúde), não estamos sensibilizados ou preparados para perceber/reagir às situações de doença. Por exemplo, as que vamos tendo conhecimento e que fragilizam alguns dos nossos associados, muitos dos quais afetados também pela solidão. Felizmente, a AREP, dentro dos seus recursos, consegue chegar a muitos destes associados, através dos Telefonemas de Conforto, pelo que toda esta atividade está a ter um impacto direto na minha vida pessoal, pelo menos nas situações que não estão dependentes da saúde e que não podemos controlar. Além desta aprendizagem, que vou adquirindo, sinto-me mais ativo no dia a dia, participante e colaborante na vida dos nossos associados com os quais interagimos. Resumindo: dar e receber nesta fase da vida é muito gratificante.
Como organiza o seu tempo entre os compromissos pessoais e o voluntariado?
Pelo facto de estar na situação de reforma por velhice, é fácil conjugar os compromissos pessoais com o voluntariado. Dedico um dia por semana a estar presente nas instalações na AREP, e, depois, quando surge algo que careça da minha intervenção/colaboração, resolvo através do “teletrabalho”. A “doação” do meu tempo no voluntariado à AREP considero-o uma mais-valia que adquiri e que continuarei a desenvolver.
Que conselhos daria a alguém que esteja a pensar em começar a fazer voluntariado?
Aconselhar alguém a fazer voluntariado é, na minha opinião, difícil, dado que depende da vida pessoal de cada um e da sua vontade em o praticar. A minha experiência inicial, como referi, não é um exemplo. No entanto, posso referir que fazer voluntariado é sentirmo-nos felizes, ativos, úteis, ocupando o nosso tempo em ajudar quem precisa, e, se for possível, numa área/ atividade de que gostamos.
Como vê o papel do voluntário na construção de uma sociedade mais solidária?
O papel do voluntário na construção de uma sociedade mais solidária é um papel importante, atendendo ao trabalho que presta para o bem-estar da Sociedade. É um agente de mudança que promove empatia, cooperação e apoio mútuo, fundamental nos tempos que estamos a atravessar, onde cada vez mais impera o egoísmo, falta de tolerância e menos bom senso. O Voluntário tem uma tarefa difícil na tentativa de criar uma sociedade mais unida e justa.
António Dias

